Como equilibrar o tempo de ecrã das crianças nas férias?

Criança na praia junto a um telemóvel, um jogo de tabuleiro e uma bola

Nas férias, é natural que adultos e crianças passem um pouco mais de tempo diante dos ecrãs. No episódio, a psicóloga clínica Ana Grazina explica que a resposta não passa por proibir, mas por regular com consistência, prever momentos de utilização e alterná-los com actividades em família.

Porque é importante procurar equilíbrio nas férias?

O telemóvel, o tablet e a televisão podem ocupar mais espaço quando as férias têm momentos sem nada planeado. Ana Grazina reconhece que este aumento é natural, tanto para os adultos como para as crianças. A questão central não é exigir que os ecrãs desapareçam, mas evitar que a sua utilização fique sem qualquer limite.

No episódio, a psicóloga clínica refere que o excesso pode estar associado a alguma irritabilidade e à diminuição da qualidade do sono. Por isso, propõe um equilíbrio que admita mais flexibilidade durante as férias, sem abandonar por completo uma organização reconhecível para todos.

Esta perspectiva permite afastar uma escolha rígida entre acesso livre e proibição total. As férias podem trazer regras diferentes das do resto do ano, mas continuam a beneficiar de limites negociados com as crianças e assumidos também pelos adultos.

Como definir limites sem contar todos os minutos?

Em vez de medir apenas o número de minutos passados diante de um ecrã, Ana Grazina sugere organizar a utilização por momentos. Uma família pode escolher um, dois ou três períodos do dia em que os ecrãs entram na rotina. O número concreto pode variar; o ponto é tornar a utilização mais previsível e controlada.

Esta organização também ajuda a tornar a regra mais fácil de compreender. A criança sabe que haverá um momento para usar o telemóvel ou ver televisão, e os adultos sabem quando esse momento acontece. Nas férias, esses limites podem ser um pouco mais flexíveis, desde que não deixem de existir.

A negociação é outra ideia importante do episódio. O equilíbrio não é pedido apenas às crianças. Os adultos também podem olhar para a sua própria utilização e combinar consigo mesmos quando querem estar diante de um ecrã. A coerência começa, assim, por reconhecer que o aumento pode acontecer a todos.

O que pode ocupar o lugar dos ecrãs?

A sugestão não é retirar o ecrã e deixar um vazio. Ana Grazina propõe alterná-lo com actividades de lazer e momentos em família, mediados pelos adultos. Os jogos de tabuleiro são um dos exemplos mencionados na conversa, precisamente porque juntam as pessoas em torno da mesma actividade.

A praia surge também como exemplo espontâneo no episódio. As ondas, os castelos na areia, os mergulhos e as pessoas com quem se partilha o dia podem desviar naturalmente a atenção do telemóvel. A ideia não é apresentar estas actividades como uma fórmula, mas mostrar que há experiências capazes de criar interesse sem transformar o ecrã num conflito permanente.

Quando a família joga, conversa ou passa tempo em conjunto, está também a criar memórias. Esta é uma das razões pelas quais a alternância tem valor no episódio: não serve apenas para interromper o tempo de ecrã, mas para abrir espaço a momentos partilhados.

Regular é diferente de proibir

A mensagem final da Ana Grazina é directa: o mais importante não é proibir, mas regular com alguma consistência. Uma proibição pode transformar o telemóvel no centro da discussão, enquanto um limite previsível permite que outras actividades ganhem espaço sem uma disputa constante.

O equilíbrio pode incluir mais tempo de ecrã do que noutras alturas do ano. Pode também ser revisto em função do dia, das actividades previstas e dos momentos em família. O essencial, segundo o episódio, é que esse aumento seja reconhecido e negociado, em vez de acontecer sem atenção.

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Perguntas frequentes

É necessário proibir os ecrãs durante as férias?

Não é essa a proposta apresentada no episódio. Ana Grazina destaca a regulação consistente, com limites que podem ser mais flexíveis nas férias, em vez de uma proibição total.

Os limites têm de ser definidos em minutos?

Não necessariamente. Uma alternativa é escolher um, dois ou três momentos do dia para utilizar os ecrãs, tornando essa utilização mais previsível e controlada.

Que actividades podem alternar com o tempo de ecrã?

O episódio refere actividades de lazer em família, jogos de tabuleiro e experiências na praia, como brincar nas ondas, construir castelos na areia ou dar mergulhos. O importante é abrir espaço a momentos partilhados.

Sobre o autorFlávio Roxo escreve para a Clínica Santa Susana, em Turquel. Este artigo tem por base o episódio da rubrica “Minutos sobre a mente”, na Hiper FM. O conteúdo é informativo e não substitui uma consulta.

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